– VOLTEI, PSIU!…



Numa reunião do Conselho Municipal de Educação, Professora Valda Marques, representante dos gestores escolares nesse Conselho, transmitiu-me a solicitação: a SECULT (Secretaria Municipal de Educação e Cultura/Salvador) a convida para desenvolver uma oficina de literatura infantil na 8ª. Bienal Baiana do Livro, para umas vinte e cinco crianças de idades variadas. Você aceita? Aceito sim, e logo fiquei alegre. Compartilhei minha alegria com Regina Campana, contadora de histórias. Alegria e medo. Com inclinação para a insegurança, sinto certo pavor de realizações solitárias. Com açúcar e com afeto, planejamos muitas atividades com canções, poesias, contos, parlendas, jogos de armar e outras coisinhas mais. – Falta a indumentária, disse Regina. Do que você está falando? – Você pretende ir de salto alto? Como iremos, então? – De calça e blusa pretas, colete colorido e conga vermelho. Achei ótimo. O problema era encontrar o tal conga vermelho. Procurei pela Avenida Sete e Baixa do Sapateiro. Ninguém me dava notícias. Quem me salvou foi Cátia, do “Salão de Beleza Spetáculo”: – Conga hoje é “All Star”, Mary.

No caminho da oficina, sem os bares de esquina, conversamos sobre a maçaroca que levávamos. Faremos tudo isso? – Talvez devamos ser mais econômicas, e deixar tempo para a criançada visitar os stands, apreciar livros e curtir outras atrações. Concordei.  Seja o que Deus quiser.

O espaço ambientado pela SMEC estava no ponto: mesinhas, ar condicionado, e nós paramentadas: camisas e calças pretas, coletes coloridos e conga vermelho. Chegou o grupo do Colégio Adventista de Cachoeira com tanto gás que nem Deus segurava, e nem devia querer, nem a eles, nem a nós. No meio da animação, Valda dizia da porta: conclui! A fila está grande. E assim, sucessivamente, com mais seis trabalhamos. Sete ao todo, conta do mentiroso. Da PRACATUM, de escolas da rede municipal. O certo é que o pessoalzinho “tava” que “tava”, e nós não menos.

Uma ex-aluna, agora professora, acompanhante de uma turma, me perguntara: – desde quando você é contadora de estórias, Mary? Eu? Contadora de história? Contadora é Regina Campana, eu sou moleca, quando posso. E naquele dia, pude, Pudemos né Rege?

Criança é pra brincar e aprender, dizia Lobato. Criança sabida e alegre é bom pra elas e melhor pra todos.

E o psiu!? O psiu foi o extravagante de nossa oficina!… Um menino de seus sete, oito anos, não mais,driblou o controle, retornou em turma seguinte e, em cumplicidade com meu olhar e o dedo sobre os lábios, exclamou em gesto não sonoro o psiu mais silencioso que já ouvi. Obedeci. Fiquei quietinha.  Mas, talvez, porém, todavia, contudo, só por fora. Por dentro, ah, por dentro eu gargalhava de safadeza. Psiuiuiuiu…

Quem me dera vinte anos menos e outros psiuuuu. Deixaria os “explicudos” da Academia – (expressão de Roberto Albergaria) e ia me divertir com a meninada.

E o conga vermelho não mais saiu do pé. Mas que chulé!


Professora da Faculdade de Educação da UFBA.

marya@ufba.br

Uma resposta to “– VOLTEI, PSIU!…”

  1. Luciene Says:

    Ô Moleca,

    Posso até ver a sua cara de travessura no meio dessa oficina…rsrsr

    Quero detalhes… e que história é essa da senhora incorporar a contadora de histórias de colete colorido e conga vermelha? conta tudinho… sem tirar, nem pôr…rs

    Ah, e o que uma Maçaroca??????

    Bjinhosssssssssssssssssssss

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