– VOCÊ NEM FALOU DE MIM!

Aos sete dias de agosto de dois mil e dez, ele faz cinco anos.Não há nada como o tempo para passar, ensina o poeta.[1]

Foi quase ontem, no tempo da memória, aquele instante do positivo à segunda gravidez de Carol. Fiquei contente, ma non troppo, prevendo mais uma descontinuidade em seu arrastado curso universitário. Milena[2] ainda bebê, e mais um chegando. Fazer o quê? Cantar, Né! Igual a Vandré, eu vou levando a minha vida enfim, cantando, e canto sim.[3] E foi cantando que acolhi esse moleque. E o quê? Nada menos que “Força estranha” de Cae Veloso. Eu vi a mulher preparando, outra pessoa, o tempo parou pra eu olhar para aquela barriga… Com essa mesma melodia eu embalava Ciro em meu ventre e Licinha sua Nanda, só para citar uns poucos exemplos do valor da canção. Mas deixemos esses prolegômenos pra lá, e voltemos ao rapaz.

Trata-se de Luan Gabriel[4] Arapiraca Barbosa. Confesso, até meio acanhada, que ele é bonito aos meus olhos, além de interessante, arteiro e sedutor – Jairão que o diga! Birrento, também, preciso isso revelar para ser uma vó politicamente correta. Gosta de carro, reconhece uma boa parcela deles, desde os dois anos, lê todos os anúncios e nomes das casas comerciais, não pela composição alfabética, mas pelo formato/desenho, é claro. É entoado e canta comigo e Mimi boa parte das músicas que gostamos. Ocorre que ainda não lê e escreve alfabeticamente, como acontece com sua irmã, que fez seis anos em março. E as cenas de letramento da danadinha vêm preenchendo minha atenção.

E foi aí que a coisa pegou, quando almoçávamos e Menandro me telefona. Os dois correm para atendê-lo, mas Mila chega primeiro, e repete o elogio do meu amigo: “que voz linda você tem”!

Atendo, e o elogio se estende: – Mary, eu vou levar a câmara para fazermos umas filmagens com sua neta, quanta sonoridade!

Ao invés de concordar apenas, comecei a desfiar todos os progressos que a menina vem apresentando na leitura e na escrita. Contei que quando viajei, um caderno foi o seu pedido de presente e, como se não bastasse, revela-me que ama escrever.

E, naquela corujice, pedi um tempo a Mena para, mais que contente, apanhar o tal caderno e, efusivamente, apresentar-lhe a façanha de Milena que, tomando o livro “Contos de morte morrida” de Ernani Ssó, da Companhia das Letrinhas, que a família de Nadia lhe dera de aniversário, fez seus acréscimos:

CONTOS DE MORTE MORRIDA

NÃO PODE MATA NÃO PODE

SE NÃO A FAMILHA

VAI FICAR TRICHI – PESSOA!

Comentamos os sentidos e recursos ortográficos utilizados naquela composição textual e, com isso, nos divertimos à vontade.

Depois que desliguei o telefone, veio o mais dolente protesto que escutei em toda a minha vida: – VOCÊ NEM FALOU DE MIM!

Eu havia rasgado elogios à neta e o neto ouvira tudo atentamente. O mundo gira, o tempo passa, os gostos mudam, os costumes envelhecem, mas, o desejo de aprovação pelo adulto permanece, para sempre.

Com seus cinco aninhos, Binho demonstra isso para nós, educadores de carteirinha!

Parabéns, querido!

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