– Lili – FINÍSSIMA – FALA FIRME E FLUENTE

O mundo gira depressa/ e nessas voltas eu vou/ cantando a canção tão feliz que diz Hi-Lili, Hi-Lili, Hi-lo, por isso é que eu bem contente estou/ Hi-Lili, Hi-Lili, Hi-lo, era mais ou menos esse o estribilho da trilha sonora. Assisti uma meia dúzia de vezes, todas elas torcendo para que Paul, personagem de Mel Ferrer conquistasse o coração de Lili, como se estivesse diante daquela trama pela primeira vez. Era tamanho o fascínio que a tela cinematográfica exercia sobre minha pessoa, que eu era capaz de cometer qualquer desatino, até fugir do colégio, para enfiar-me nos bancos desconfortáveis do Cine Glória ou do Cine Conquista de Vitória da Conquista. É uma tristeza quando chego naquela terra e encontro o Cine Conquista transformado numa das tantas Lojas Insinuante, e o Cine Glória transmudado numa “Universal do Reino de Deus”. Acho que Deus estaria mais bem servido na antiga sala de projeção, mas, fazer o quê?!  Naquele tempo eu sabia o nome dos artistas: Glenn Ford, Jean Paul Belmond, Alain Delon Tyrone Power, James Deans, Aldrey Hepburn, Marlene Dietrich, Natalie Wood, Steve Ma Quen, Anthony Perkins, Anthony Quinn, Elizabeth Taylor, James Stewart, Deborah Kerr e os nossos Paulo Gracindo, Mario Lago, Grande Otelo, Zé Trindade, Cantinflas, Maria Dela Costa, Dina Sfat, Glauce Rocha, Heloísa Helena, Jofre Soares, Leila Dinis, Milton Moraes, Zilka Salaberry, Benedita Rodrigues, entre tantos, e os considero (me recuso a falar no passado, senão também fico nele) semideuses e semideusas.

Mas Lili a quem me refiro agora, não é a personagem de Leslie Caron, que deu nome à película rodada no fim da década de 50 ou início da de 60, não sei ao certo, e também não é isso o que importa. A Lili que enreda essa narrativa é uma senhora professora da nossa querida Universidade Federal da Bahia. Segundo as normas da não tão amável senhora ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que mais deveria significar (Acúmulo de Bobagens Notificadas Tecnicamente) essa memorável mestra deveria ser referenciada como: BELTRÃO, L. M. F.

Todos os que conhecemos BELTRÃO, L. M. F., que, de um tempinho para cá, passei  carinhosamente a nomeá-la de Lili, sabem da sua admirável lisura e retidão de comportamento, aquela que faz ou não faz qualquer gesto,  porque sabe que é assim que tem que ser, independente de estar ou não invisível na multidão ou sendo observada num corredor qualquer. Quem de nós poderia sequer supor que Lili, algum dia, faltasse com a verdade, seja qual fosse a necessidade. Mas não foi nenhum de nós quem disse, foi a própria que confessou em alto e bom som que mentira, usando mais que apropriadamente o mais que perfeito do verbo mentir.

Tive, ou melhor, tivemos que respirar fundo para evitar um desfalecer coletivo. Quando nos viu sem fôlego, embraveceu e falou em alto e bom som, como não era seu costume: “então vocês não observaram que eu disse no texto que todas as crianças de Salvador estão bem assistidas em relação à educação pré-escolar? Isso é verdade?”

Suspirando de emoção, também em alto e bom som respondemos:

– Não, não é verdade. Mas vai ser. O povo merece, tem direito, vai tomar de assalto e, um marinheiro anunciou que vem aí bom tempo!

C’est fini!

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