– FUTEBOL NÃO É TUDO

Às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2010, somos todos tentados a dar palpites sobre o placar que, provavelmente, nos fará começar a emplacar no jogo contra a Coreia do Norte.

Mas, nossa erudição futebolística nos impulsiona a falar mais: comentamos o desconforto geral com o empate África do Sul/México, o resultado desfavorável da Nigéria contra a Argentina, a esperada goleada da Alemanha contra a Austrália, o frango do goleiro inglês no jogo contra os Estados Unidos, e por aí vamos com a bola na mão e na ponta da língua.

Vez por outra, expressamos remotas saudades de Tostão e Garrincha e, de lambuja, as mais recentes de Romário e Ronaldinho Gaúcho. Abrilhantamos nosso discurso evocando a peculiaridade da abertura da Copa na cidade do Cabo, sem os já frequentes espetáculos pirotécnicos.

Felizmente, incluímos em nossa falação a extraordinária história da África, recheada de enfrentamentos pela libertação de seus povos dos desembestados jugos colonialistas; e nessa esteira, lembramos a figura de Nelson Mandela e lamentamos a perda trágica de sua bisneta de 13 anos, num instante que esperávamos somente alegria e refrigério para sua alma.

Em meio a tudo isso, somos convidados a participar de uma cerimônia de celebração da vida do jovem Igor que, há 30 dias, se despedia de nós, de Edilma, Bruna e de seu Gesi. Usamos, propositadamente, o despedia – pretérito imperfeito, pela continuidade que esse tempo verbal imprime em nossa compreensão; a cerimônia liderada pelo Pastor Joel Zeferino era testemunha disso.

Dela, duas lições:

Uma é extraída da fala de Tiago – intrigado porque seu amigo, com apenas 12 anos, jogava videogame enquanto os colegas jogavam futebol, obteve de Igor a resposta: “não dou conta de jogar futebol, e preciso me distrair”.

Primeira lição: NEM SÓ DE FUTEBOL VIVE A HUMANIDADE.

A segunda, vinda dessa mesma fala, adverte: É PRECISO OLHAR OS QUE NÃO JOGAM FUTEBOL.

Essas se complementam com uma de Henri Bergson, filósofo francês do século XX, quando trata da questão do tempo. Ensina-nos Bergson: “Tempo é duração”.

Nesse sentido, parece-nos razoável supor que: mais instantes, menos instantes, mais horas, menos horas, mais dias menos dias, mais anos, menos anos, mais séculos, menos séculos, o que importa é o quanto isso dura/significa para cada qual em sua relação consigo mesmo e com o outro.

***

Por certo, as três décadas de Igor foram cheias de duração!

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