– ERROS PRECIOSOS

Não poderia ser mais agradável, consequência de cinco falantes num único automóvel e distribuição democrática das seleções musicais, pelos variados gostos. Havia me esquecido desse detalhe, o que foi muito bom, porque pude optar pela não-música. “Tudo que é demais, é muito”, disse alguém não me lembro quem. Por me constituir em absoluta minoria, fiquei com direito somente à metade do tempo que me competia. Democracia tem dessas coisas…

Na primeira parada, o café da manhã. Não era propriamente o melhor do Brasil, mas o apetite dos dois colegiais conta muito.

Falava-se de tudo. De vez em quando, uma discreta advertência: “deixa fulano concluir”… Diga-se logo, raríssimas vezes, vez que, quase tudo era de domínio geral. Quase, porque um “facílimo” teste de física excluíra alguém que, evidentemente, não fora nem o casal de médicos, e nem tampouco os irmãos  colegiais. É meio esquisito esse negócio de fácil!

Em Milagres, cenário de filmes do cineasta baiano/conquistense Glauber Rocha _ “Deus e o diabo na terra do sol”, “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” –, alguém falou: – Olha a boca da pedra, cadê tio Case? A boca da pedra, pra quem ainda não viu, é um monumento natural, espécie de cartão postal de Milagres, que leva a inscrição: TYRESOLES. Tio Case (ANDRADE, F. C.) é um irmão que se encarregava de levar os sobrinhos de Vitória da Conquista para turismo em Salvador. Sobre a tal inscrição, me contaram que alguém já a traduziu por “tire os olhos”. Se é vero, não digo o nome do político que a verteu para a língua de Drummond nem morta…

A criatura mais tagarela, entre nós, pareceu-nos ter uma relação pouco amigável com o ensino da língua materna: “Português é a pior matéria que existe. Português e  redação”, oferecidos de forma distinta no colégio da menina e em tantos outros. Conta-nos:

Minha professora de redação diz que lê nossos textos três vezes, a fim de encontrar erros. Com a primeira encontra aqueles que saltam aos olhos. Na segunda, aqueles mais tranquilos e na terceira, os mais preciosos, visíveis somente com lentes de aumento.

Erros preciosos!…

Em Jequié, passamos no PIEJ, como ainda é conhecido o Centro de Referência em Doenças Endêmicas Pirajá da Silva/CERDEPS – SESAB. Fica situado num lugar verdejante, diferente de seu entorno. Verdejante, também, é o cotidiano de diagnóstico e acompanhamento dentro e fora de seu espaço físico, porque realizado de forma responsável e zelosa com o bem estar e integridade dos humanos atendidos. Sabe-se que ali se consegue o melhor a partir de postura adequada da direção e de todo o  coletivo do Centro.

Em tempo de descaso com o sofrimento de tantos, encontrar referências de pudor no trato das pessoas e da coisa pública é, no mínimo, estímulo para se continuar na peleja, sabendo que um mundo mais razoável é possível.

Nessa mesma Jequié, visitamos, a pedido dos colegiais, o buffet Marlene Marinho. Tortas, empadas, pastéis cumpriram, ao pé da letra, o papel de nos fazer olvidar a mesa árabe, na casa dos Khouri.

***

Tudo acabou na mais perfeita paz! Parodiando certo Pessoa:

Tudo vale a pena, se a comilança não é pequena! E se os dissabores do pós-pasto não são muito incômodos, acrescentaria um amigo, de intestino delicado…

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